Por Bruno Guilherme Por Bruno Guilherme – Especialista em Marketing Esportivo e Head de Patrocínios da HanzBet. Fundador da Brasil Sports Business.
Nos últimos dias, a simples ideia de uma camisa vermelha para a Seleção Brasileira movimentou redes sociais, gerou manchetes, dividiu torcedores e reacendeu um debate antigo: até que ponto o futebol pode (ou deve) ser usado como ferramenta de posicionamento ou campanha?
Como profissional com mais de uma década atuando diretamente com clubes, marcas e entidades esportivas, acompanhei de perto ações que uniram torcida e propósito — e outras que, como essa, escorregaram na sensibilidade do momento.
O que aconteceu?
Circulou nas redes sociais a informação de que a CBF teria cogitado lançar uma camisa vermelha em referência à luta contra o racismo. A ideia teria partido do atual presidente da entidade, Ednaldo Rodrigues, e ainda que a camisa nunca tenha sido oficialmente apresentada, o boato foi suficiente para criar uma onda de reações — muitas delas contrárias à iniciativa.
A cor vermelha e seu peso no Brasil
Em qualquer país, a escolha das cores de um uniforme pode carregar significados emocionais. No Brasil, a camisa amarela da Seleção representa um símbolo nacional. Ao mesmo tempo, a cor vermelha traz associações com clubes rivais (como Flamengo e Internacional), com partidos políticos e com movimentos sociais. E é aí que mora o problema: ao tentar comunicar uma causa legítima, a proposta acabou se perdendo na polarização política.
O marketing esportivo precisa de estratégia — e de sensibilidade
Trocar a cor da camisa por uma causa pode ser uma ação poderosa. Temos exemplos bem-sucedidos, como a Inglaterra usando faixas arco-íris ou clubes brasileiros vestindo camisas pretas no Novembro Negro. O que diferencia uma boa ação de uma polêmica mal planejada é a sensibilidade ao contexto social e à base de torcedores.
Neste caso, faltou planejamento de comunicação, leitura de cenário e escuta ativa da torcida. Em vez de unir, a proposta dividiu. Em vez de levantar a pauta do combate ao racismo, ela virou campo de batalha político.
Oportunidade ou alerta?
A camisa vermelha que nunca existiu serviu como alerta para marcas, federações e patrocinadores: no esporte, cada ação é carregada de significado. E se não houver uma estratégia bem fundamentada por trás, o tiro pode sair pela culatra.
Ao mesmo tempo, esse episódio mostra como o futebol é, sim, um dos meios mais potentes de gerar debate, visibilidade e engajamento em torno de causas sociais. Mas isso precisa ser feito com planejamento, escuta e alinhamento com o que pensa — e sente — o torcedor.
O papel das marcas
Para os patrocinadores da Seleção Brasileira, como Nike, Itaú, Guaraná Antarctica e outros, o episódio traz uma reflexão importante: quando associamos nossas marcas ao esporte, estamos comprando mais do que mídia — estamos nos conectando com a paixão popular. E isso exige responsabilidade.
Conclusão
O marketing esportivo é uma ferramenta de alto impacto. Pode transformar causas, gerar movimentos, posicionar marcas. Mas também pode errar feio se não tiver propósito, coerência e leitura do ambiente.
A camisa vermelha da Seleção não foi lançada — mas já deixou sua marca.
